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Hoje li algo que realmente me ajudou a ver que o mundo virou de pernas para o ar. A grande novidade em termos de cirurgia plástica, a coqueluche do momento, é a cirurgia genital. Sim, isso mesmo. Mulheres ao redor do mundo estão indo embelezar suas partes privadas. Aumentando partes, diminuindo partes, recompondo músculos que se desgastaram pelo uso. Agora você estica sua cara, suga a gordura de sua barriga, dá uma levantada em sua busanfa e ainda por cima renova sua........ Para mim é demais. Definitivamente estou velha e ultrapassada, essas coisas soam aos meus ouvidos como um filme estúpido, uma musica ranheta e vulgar. Será que em algumas décadas, sobrará alguém que permaneça fiel ao seu eu original? Não é que ache que todos devem se conformar com sua aparência, se você pode mudar algo que está muito errado com você, porque não? Mas vejo pessoas mudando materiais perfeitamente aceitáveis para poder fazer parte de um time que nem mesmo lhes dá o merecido reconhecimento pelo doloroso processo. Não sei o quanto os homens aprovam ou desaprovam as novas mulheres criadas nos computadores gráficos dos cirurgiões. Não sei se eles não sentem falta da imperfeição natural de cada uma de nós. Talvez estejam mais do que felizes, afinal, vejo nas ruas todos dias, homens ridículos com barrigas inchadas, carregando no braço uma pretensa modelo turbinada. Com tudo isso, vejo que as mulheres se esforçam cada vez mais e os homens cada vez menos. Não se cuidam e nem mesmo se esforçam em ser sedutores, somos tantas de nós que o pior deles sempre vai estar com uma beldade plastificada ao alcance de seus dedos. Não adianta arrumar seu exterior, moldar seu corpo ao padrão desses tempos, se não tiver orgulho do que é em sua totalidade. O céu se abre de repente e um manto de água doce se derramou sobre a terra. A fumaça densa que cobre a cidade desaparece pelos esgotos empurrada pela força da enxurrada. Nada parece o mesmo, nada deixa de se transformar. Cada um que respira, debaixo desse céu de meu Deus, respira um pouco mais aliviado e estende as mãos para fora das janelas colhendo as gotas geladas que cortam o ar quente. A briga do casal, sem motivo, termina no mesmo instante que o barulho da chuva faria suas vozes se elevarem, eles caminham para a varanda e se unem de mãos dadas agradecendo pela pacificadora torrente. As crianças, que enchiam a casa com seus gritos exigentes, se aquietam em frente a janela, seguindo com seus dedos macios os pingos dançando no vidro. Os cães, arfando seu suor amigo e encarando seus donos com olhos sofridos, deitam de barriga para cima e se viram e reviram felizes com a brisa que entra sem freio pela janela escancarada. A flor, murcha no jardim sedento, ergue suas pétalas para o céu e dá seu suspiro mudo de alivio enquanto agradece pela benção. Somos todos criaturas pequenas. A flor, o cão, as crianças e nós, adultos. Pequenos diante do sol abrasador, que esquenta tanto a terra que a noite não tem frescor suficiente para nos dar paz. Somos pequenos, pingos que respiram o ar quente, aspiração sofrida que não nos trás alento. Dizem que falo demais da chuva. Dizem que a amo até quando é severa e castiga terra e gente. Dizem que quando ela cai sou menos insana e mais humana. E tudo é verdade. Amo a chuva que me trás a paz, me trás o ar mais puro e a alma menos torturada. Mas sobretudo, amo a chuva por não ter dono, por cair quando não é esperada, por molhar meus pés cansados na volta do trabalho e por ser o que é. Uma benção que sempre esquecemos de agradecer. Acho que já tenho experiência suficiente de vida para dar conselhos. Aqui vão alguns que vão te ajudar a seguir nessa estrada esburacada, cheia de curvas, de asfalto de segunda mão que é a vida. 1° - Nunca, mas nunca mesmo aceite fazer parte de uma equipe de buscas. Se te disserem "Minha irmã rebelde está presa no Evereste por uma tempestade. Me ajude e eu te dou 1 milhão de dólares." Esqueça. Você está fadado a morrer no meio do caminho como um picolé que ninguém nunca vai chupar. Toda expedição de resgate, todos 453, perecem para salvar meia dúzia de idiotas que nunca deveriam subir em algo mais alto que um banquinho. 2° - Se você for convidado a fazer parte de uma caça ao tesouro, um belo navio sumido em algum lugar das bermudas, e te prometerem 50% dos lucros, saia correndo gritando e abanando os braços como em um desenho animado. As opções de desastre são tantas que nem sei por onde começar. O navio pode ser fantasma e você vai morrer de forma melequenta. Tubarões jurássicos habitam a região e vão te transformar em aperitivo da sessão da tarde. A tempestade do século vai desabar e bye bye. 3° - Aquele homem/mulher dos teus sonhos aparece do nada e te conquista com todos movimentos certos. Sabe tudo sobre você e seus mais secretos desejos. Sorria um sorriso idiota e diga gugu dada se fingindo de débil e saia de fininho se trancando num mosteiro por 1 ano. No mínimo você ganhou uma herança e o homem/mulher dos seus sonhos precisa te liquidar para abocanhar as moedas. Ou.... você presenciou sem querer um crime, nem sabe que o que viu é o que viu e ele/ela é o assassino enviado para sugar informações e depois te transformar em comida de minhoca. 4° - Lá está você, cuidando de sua vida na fila do banco, olhando para a bunda alheia pois esqueceu de trazer um livro e.... Assalto, reféns, policia, cerco. Quem você é? O herói que faz malabarismos para salvar a todos? O pateta que não entende bem o que está acontecendo e age como se estivesse no cinema? O filho da degenerada, que empurra os outros para frente quando anunciam que vão liquidar um refém? O histérico que chora convulsivamente e confessa pecados para todos como se alguém se importasse? Não. Você é o idiota que fica tirando caca do nariz e que pega café para quem pedir. O herói só existe nos filmes, o pateta morre logo porque enche o saco e tropeça na granada, o filho da p.. também vai dessa para a melhor porque nem mesmo ladrão gosta desse tipo. O histérico é atirado pela janela pelos companheiros porque dá dor de cabeça. Seja o idiota, fique alerta e seja o terceiro na fila, em caso da policia atirar você tem dois escudos humanos na frente. 5 – Se alguém te confundir, pensar que você é gay quando não é, se pensar que é hetero quando não é, se pensar que é homem em vez de mulher ou vice versa, desfaça a confusão no mesmo momento. Para manter certas mentiras é preciso mais energia do que para dizer a verdade, sem contar que os finais dos filmes onde isso acontece são deliciosos, mas na vida real todo mundo vai achar você um cretino. 6 – Preste atenção às placas e consulte sempre um mapa, fica mais fácil de se chegar a qualquer lugar. Por hoje é só. Só para constar, já que alguns tem feito confusão. O diário não é meu, é de Filomena mesmo, talvez ela tenha algo de mim, mas vocês nunca vão descobrir o que. Ela tem 35 anos, eu 41. Ela é secretaria, eu trabalho na mesa de operações de uma distribuidora de valores. Ela compra um tamanco roxo porque uma amiga maluca a encoraja a isso, eu.... JAMAIS. Ela vai para a academia quando insistem, eu larguei porque cansei de insistir comigo mesma. Já que eu a criei, ela deve ter algo meu, só não reparo muito onde coloco meus pedaços, mas espero que a Mena seja do agrado de todos. Abraços, Andréa C 22 de Novembro de 2004 Hoje conversei com meu chefe. Disse a ele que não faço mais horas extras de graça. Afinal, ele parece deixar tudo para a ultima hora só pra atrapalhar minha vida. Fiquei surpresa quando ele me deu razão, acho que finalmente peguei o jeito, adorei dizer não. Levei o tamanco roxo pra trocar, minha mãe gritou de susto quando o viu. Achei melhor trocar, ela poderia ter um infarte se eu o colocasse. Fui seca na sandália preta e a experimentei de novo. Sai da loja feliz com a sacola balançando. Já podia ter estreado no fim de semana se a Carmem não tivesse me atazanado com o maldito tamanco. Quando voltei para o escritório a fofoca corria solta, meu chefe fora demitido pela manha! Aquele babaca, filho de uma degenerada. Ficou bem quieto enquanto eu fazia meu discurso. E o que vai ser de mim agora? Todo mundo fica me olhando com cara de pena. Secretaria que perde o diretor costuma ficar cobrindo férias das outras e em pouco tempo vira assistente de algum gerentezinho metido a besta que pede café de 5 em 5 minutos. O descarado do demitido teve a pachorra de me pedir para encaixotar as coisas dele. Saiu de mãos leves enquanto eu fiquei juntando o que havia em suas gavetas. Enchi bem duas caixas pequenas de trecos, uma só com seus brinquedinhos, relógios para corrida, palms, e mais uma infinidade de coisinhas caras. Passei muita fita no fundo até vedar completamente e despejei a garrafa de café dentro. Me senti ótima depois disso, nem preciso de um drink no fim do dia. No fim do expediente vieram me avisar que eu vou ficar por aqui mesmo, pelo menos por enquanto. Meu novo chefe começa amanha, e se gostar de mim.... Veremos. Cheguei em casa inteira, ou quase, o dia foi meio como uma montanha russa. Tirei os sapatos e me estiquei no sofá querendo relaxar, mas minha mãe me encheu tanto o saco que fui pra academia onde suei uns três quilos, pena que a balança me disse que ganhei um quilo e meio. Vou me jogar na cama agora, é o que resta a esta pobre balzaquiana. A musica tocava alto demais. Ela não se mexia com medo de ser nocauteada na pista de dança, seu canto era seguro. Mesmo tendo vivido os anos 70, os 80 e os 90, era estranho ver o que era divertimento hoje em dia. Cada dia ela apreciava mais e mais as coisas do passado já que não via sentido no presente. As pessoas se contorciam à sua frente no que parecia uma doença dolorosa, suas cabeças chacoalhavam para cima e para baixo e ela se preocupava com o que isso faria com seus cérebros. Suas amigas, quarentonas como ela, procuravam acompanhar os jovens na pista e a incentivavam a as acompanhar. Ela balançou a cabeça em um não horrorizado, tinha tanto medo do ridículo como do bicho papão de quando era criança. Um suspiro profundo escapou de seu peito e ela olhou em volta pensando que poderia estar em casa vendo um filme. Não havia nada para ela ali. O que ela desejava estava enterrado em um passado que nem mesmo vivera. Jovens a cercavam por todos os lados e, apesar de se dar bem com eles e entender a confusão de suas cabeças, não via como pudesse viver em suas vidas. A musica começou a ficar abafada e as pessoas pareciam envolvidas em névoa. Piscou os olhos varias vezes, estaria cochilando em tal ambiente? Riu de si mesma e puxou mais um cigarro, tomou mais um gole de seu vinho branco e olhou para o relogio ansiosa. Vã esperança, ainda era cedo demais, a meia noite ia começar a soar. Por um instante tudo pareceu rodar e seus ouvidos fizeram o que faziam quando estava em um avião nas alturas. Tudo ficou abafado e a névoa aumentou a ponto dela perder as pessoas de vista. Pensou consigo que estava tendo um treco ou tinham exagerado no gelo seco. O que primeiro a surpreendeu foram os acordes mansos e doces de uma musica que ela conhecia muito bem. Some day, when I’m awfully low, / When the world is cold, / I will feel a glow just thinking of you... / And the way you look tonight. Seus olhos se arregalaram, ou algo muito estranho estava acontecendo ou o DJ tivera um surto psicótico e estava possuído pelo seu bisavô. Um vulto surgiu das sombras, mão estendida em sua direção. Ela se agarrou ao balcão, o coração galopando frenético, medo do desconhecido bombeando em suas veias e, ao mesmo tempo, uma excitação bem conhecida. Algo que ela não sentia a muito tempo. O corpo que seguiu a mão era elegante e vestia um smoking negro. Ela, que olhava para a mão, viu os sapatos brilhantes e as calças bem passadas, seus olhos foram se erguendo pelo casaco bem cortado e pela silhueta máscula. Os cabelos bem penteados eram do dourado profundo que ela não costumava admirar, uma cor de mel fresco que caia bem ao rosto claro e de olhos cor de chocolate derretido. O rosto era franco e o sorriso mostrava dentes brancos e tão certos quanto os seus eram tortos, o que lhe acrescentava um certo chame, ela sabia. Sorriu sem nem saber porque, para que ficar se indagando se era sonho? Se ela enlouquecera e estava em um mundo só dela, era bom demais para tentar voltar. Yes you’re lovely, with your smile so warm / And your cheeks so soft, / There is nothing for me but to love you, / And the way you look tonight. Ela tomou a mão estendida e se deixou conduzir ao centro da pista de danças agora vazia. As luzes era suaves e a musica parecia ser tocada por uma orquestra escondida por densas cortinas. A mão que cingiu sua cintura era quente, firme e se espalmou com firmeza na base de sua espinha, a que segurava a sua era macia e acariciante. Ela ainda se lembrava de como dançar, seu pai a ensinara bem como ser conduzida por um homem. Ela o seguiu enquanto a musica falava coisas que tocavam seu coração. Os olhos cor de chocolate pareciam repetir as palavras da musica em uma linguagem ainda mais divina. Passos suaves que os seus acompanhavam como se os adivinhassem, a respiração suave em seu ouvido prometendo coisas que ela nunca sonhara imaginar. With each word your tenderness grows, / Tearing my fear apart... / And that laugh that wrinkles your nose, / It touches my foolish heart. Quando ouviu sua voz ela sentiu o chão tremer e o mundo girar mais rápido, as palavras ditas não podem ser repetidas, foram de um coração a outro e assim devem permanecer. Sim, sim... ela esperaria. Quanto tempo tudo durou é difícil dizer, um minuto? Um século? O abraço se intensificou e a névoa começou a voltar, mas já não havia duvidas. Ele a levou de volta ao seu lugar, delicadamente. Um ultimo brinde, uma promessa e ele se foi como veio, em meio à névoa e aos acordes da canção. Lovely ... never, ever change. / Keep that breathless charm. / Won’t you please arrange it ? /’cause I love you ... just the way you look tonight. O vazio em sua cabeça veio e se foi e tudo voltara ao normal. As pessoas se contorciam na pista e suas amigas continuavam a se divertir. Ela ficou aonde estava, se a insanidade era isso que viesse com toda força. As horas passaram e mais três copos de vinho até suas amigas se darem por vencidas. A maratona para sair da danceteria foi maior do que para entrar. As filas do caixa, os jovens inoportunos e a espera eterna pelo carro, tudo parte da noite divertida. As amigas a olhavam e se cutucavam, seu olhar distraído e o sorriso bobo começaram a despertar suspeitas. "Que foi? Você conheceu alguém é? Essa cara de tonta só pode ser homem." Ela riu pois era verdade, mas como explicar? "Na verdade eu acho que dormi, sonhei um sonho lindo." As amigas gargalharam pois só dela poderia se esperar que cochilasse numa balada. "Falei para você não tomar o remédio pra rinite, deve ter te deixado chapada misturado com o vinho." Ela só sorriu. Insanidade temporária, reação à medicação, botulismo, malária, aceitaria o que fosse. No caminho para casa ela pediu para pararem em uma farmácia e , precavida como sempre, comprou mais quatro caixas do remédio para rinite, o vinho ela tinha em casa. Mm, mm, mm, mm, / Just the way you look tonight. 16 de Outubro de 2004 Hoje, na volta do feriado, o dia não foi tão pesado. Sou secretaria do diretor financeiro de um banco. Ele hoje passou o dia em reuniões, graças a Deus, porque o vinho que tomei ontem transformou minha cabeça em um tambor. Nunca tomo vinho tinto, não gosto a não ser para acompanhar as refeições, mas todos estavam tomando... na hora do almoço fomos ao shopping, essa proximidade com o escritório me alivia a conta bancaria demais da conta. Vi uma sandália m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a. Preta com tiras finas e delicadas, perfeitas para meu pé que alias é bem bonitinho. Experimentei e me apaixonei. Carmem, que é secretaria de outro diretor, estava comigo e cismou em me fazer experimentar um tamanco roxo com detalhes em amarelo que parecia feito de plástico, com aqueles saltos plataforma estranhos que fazem você andar como se estivesse bêbada. Voltamos para o escritório e o resto do dia cobrindo uma colega que saiu mais cedo. De volta para casa o transito estava um inferno e cheguei super cansada, mas mamãe achou que eu devia ir para a academia, então fui. Tentei malhar com um sorriso no rosto, mas quando me vi no espelho me senti o Sylvester Stalone todo podre no final de Roky, com aquela boca torta e tudo. Finalmente a cama, nem acredito que o dia acabou. Só o que me incomoda é que roupa vou usar com o tamanco roxo com amarelo..... Muita gente já me falou que preciso meditar mais. Não só para relaxar, mas para atingir o distanciamento que preciso para escrever. Juro que eu tento. Sento em minha cama em posição de lotus e começo a respirar o tão profundamente que minha rinite deixe, não é lá muito. Que é aquilo? Uma mancha no edredon? Amaldiçôo baixinho um dos meus peludos pela suposta mancha e me contorço para me livrar da posição que me endureceu o joelho. Engatinho até o fim da cama e descubro que é somente a luz no padrão do edredon e me desculpo, mentalmente, por tê-los culpado antecipadamente. Me viro, como se tivesse 15 anos, para voltar ao meu posto. Bato o pé na beira da cama e treino meu italiano que se resume aos palavrões. Respiro fundo. Bem fundo. Posso até ver a paz esperada chegando, minha cabeça começa.... Quem colocou minha bota ali? Certo, não dá pra concentrar com a bota ali jogada. Levanto e tropeço em um dos cães, nem me preocupo em praguejar, minha bota precisa ser guardada. Tarefa cumprida e posso voltar para minha posição de lotus. Lá vou eu, fecho meus olhos e procuro imaginar um campo verde com um rio de águas claras, flores cobrem suas margens e pequenos animais matam sua sede e se deitam na relva macia. Quanto era mesmo que custava aquela sandália azul? Será que eu quero uma sandália azul? Será que vai bem com a calça azul clarinha? CONCENTRE-SE ANDRÉA!! Certo, campos verdes, animaizinhos, flores, bla, bla, bla. Respiração profunda. Onde deixei aquela meia barra de chocolate? Escondi na mesa do computador ou aqui no quarto... Não, nada disso. Bla, bla, bla, campos verdes.... Minha perna tá começando a me incomodar. Melhor me esticar e recostar nos travesseiros. Assim.... hummmm... Ahh sim, aqui estou deitada na relva cercada de animais e com flores nos cabelos. Respiro e .......zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz Aquilo não ia simplesmente sumir. A vontade era grande demais. A promessa feita para mim mesma me consumia como fogo, já quebrara muitas delas e não acreditava ser capaz de me trair dessa maneira novamente. Mas o corpo anseia, a febre do desejo é imensa e eu sou fraca. A casa está silenciosa, até mesmo os ruídos comuns, os estalos que costumam camuflar meus passos pela escuridão se foram. Sei que assim que me sentar na cama o estrado que ampara meu corpo vai gemer e a madeira que corre em frente a minha penteadeira vai estalar por mais leve que eu pise. Me cubro melhor e fecho os olhos com força, penso em flores e rios de águas claras, mas nada resolve, quem um dia tentou meditar quando o corpo arde sabe do que falo. Sei que assim que passar pela porta minha mãe vai me perguntar aonde vou, não serei somente eu a saber da minha fraqueza, ela adivinhara pela minha voz tensa e ansiosa. Mesmo assim, sabendo que me arrependerei, eu me ergo. Com passos vacilantes e bêbados eu chego à porta, a janela bate a tábua range, mas eu já não vejo. Minha mãe chama meu nome em vão e meus cães me olham com censura, mas não vejo. Entro na saleta de TV em transe, mãos ansiosas torturando a ponta de minha camisola de malha. Vejo os contornos da minha mesa, a escuridão a transformando em um altar. E lá está ele. Me esperando como se soubesse. Sento em minha cadeira barulhenta e desconfortável e o toco. O desejo vence, o transe se desfaz e eu rasgo seu embrulho com violência. Sinto meus dentes se enterrando com um prazer quase animal. Meu Deus... Como eu amo chocolate! There are places I remember / All my life, though some have changed, / Some forever, not for better, / Some have gone and some remain. Quando olho para tras, vejo rostos que não recordo, vejo vidas que nem cheguei a tocar, mas que mesmo assim parecem pertencer a mim de alguma maneira. Sinto falta de pessoas que já nem me lembrava terem existido, penso em lugares que meu coração anseia por voltar e pessoas que gostaria de voltar a abraçar. All these places had their moments, / With lovers and friends I still can recall, / Some are dead and some are living, / In my life I’ve loved them all. / But of all these friends and lovers, / There is no one compared with you Dentre tantas coisas que me fazem falta, é sempre você que me aparece em fashs sempre vividos e mágicos. Seu rosto é o único que nunca está borrado pelas nuvens do tempo e teu nome é o único que escapa de minha boca quando alguém fala sobre amor. De tantos que passaram por minha vida, de todas experiências, você é a que marcou como ferro em brasa, como sal em ferida, como se depois de você meu coração tivesse morrido para qualquer outro. And these memories lose their meaning / When I think of love as something new. / Though I know I’ll never lose affection / For people and things that went before, / I know I’ll often stop and think about them / In my life I love you more. Um sonho não é um sonho, um sonho é somente um passo para a realidade. Sou tua como sempre fui e sempre serei, porque de todos e de tudo, é a você que eu amo. Não sonho mais com você, isso ficou no passado assim como a tua presença constante. Agora eu somente espero pelo dia que nossos caminhos voltem a se cruzar, o momento certo, o momento magico quando reconhecermos que somos nada um sem o outro. Você sem minha força não vive e eu sem teu coração honesto não sou ninguém. Quando me der a mão novamente eu juro que não a vou soltar, não precisarei mais me perguntar se é hora ou se eu te mereço. Sou ninguém, sombra de mim mesma desde que me perdi de você. Though I know I’ll never lose affection / For people and things that went before, / I know I’ll often stop and think about them / In my life I love you more. Os anos levaram teu cheiro e o som da tua voz, mas não levaram a marca que você deixou na minha alma. Me fez melhor, me fez mais feliz mesmo quando chorei e me afastei. Me fez errar, também, mas esta parte é culpa minha que não soube ver mais longe do que a dor que machucava meu peito. Essa declaração é para você. Que um dia eu possa dize-la em voz alta e na tua frente, que esse dia não demore pois cada segundo de espera eu me perco mais no meu mundo vazio e sem sentido. Sem você... vazio.... Na minha vida, é você que eu amo, mais, melhor. Amo. Sempre. Para sempre. Te amo. In my life I love you more. / In my life I love you more.
Até tu ?
Escrito por Andréa C às 22:15:48
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Do Céu
Escrito por Andréa C às 22:30:55
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Faça a escolha certa
Escrito por Andréa C às 21:05:51
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Esclarecimentos
Escrito por Andréa C às 21:20:43
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O Diário de Filomena Maria dos Santos
Escrito por Andréa C às 21:20:02
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Viagem
Escrito por Andréa C às 21:23:13
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O Diário de Filomena Maria dos Santos
Escrito por Andréa C às 23:03:10
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Ommmmmmmmmmm
Escrito por Andréa C às 22:50:10
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Desejo
Escrito por Andréa C às 23:44:49
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In My Life
Escrito por Andréa C às 19:58:46
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